Chefe de organização criminosa que atuava em Uberlândia é condenado a mais de 25 anos por tráfico internacional de armas
30/09/2026
(Foto: Reprodução) O uberlandense Décio Túlio Vieira da Silva Alves, de 36 anos, foi condenado a 25 anos, 11 meses e 10 dias de prisão, somadas as penas de dois processos da Operação Scutum, da Polícia Federal (PF). As sentenças da Justiça de Uberaba, responsável pela fase 1, e de Uberlândia, da fase 2, foram assinadas na terça-feira (29).
Na fase 1, ele foi condenado a 20 anos e 6 meses em regime fechado, por tráfico internacional de armas de 'grosso calibre' e contrabando vindos do Paraguai. Já na fase 2, a 5 anos, 5 meses e 10 dias, em regime semiaberto, por chefiar organização criminosa transnacional.
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De acordo com a sentença, Décio está preso e os juízes mantiveram a prisão preventiva. O g1 tenta localizar a defesa de Décio.
Funções diferentes nas fases da operação
Agora no g1
De acordo com o juiz José Humberto Ferreira, responsável pela sentença da fase 2, Décio era 'o centro da articulação' de uma organização criminosa transnacional. Ele negociava direto com fornecedores no Paraguai, encomendava cargas, definia preços, decidia rotas, monitorava alertas de fiscalização na fronteira e distribuía a mercadoria a uma rede de clientes.
Dos seis réus desta fase, dois foram condenados por organização criminosa, Décio e um homem apontado como seu 'braço direito', que recebeu 3 anos e 6 meses. Os outros quatro foram absolvidos de todas as acusações por serem considerados apenas contatos de Décio em conversas separadas, sem ligação entre si ou prova de vínculo estável com o grupo criminoso.
Já na sentença da fase 1, o juiz Élcio Arruda condenou Décio a 17 anos e 6 meses por tráfico transnacional de armas de uso restrito e a 3 anos por contrabando de cigarros eletrônicos. Em 2024, durante uma mandando de busca, foram apreendidas na casa dele, 195 unidades de cigarros proibido no país, além de uma pistola, munições, um carro de luxo, celulares e cheques. Nesta ocasião, Décio foi preso em flagrante e posteriormente solto com o uso de tornozeleira eletrônica.
Vínculo com outros chefes
Nessa fase, ao contrário da fase 2, Décio foi absolvido de associação criminosa armada. A sentença o descreveu em negociações pontuais, como intermediário de contatos com outro chefe.
Em fevereiro de 2024, segundo as mensagens do telefone de Décio, o chefe de outro grupo, morador de Goiânia e condenado a mais de 41 anos de prisão, pediu que Décio verificasse com um contato no Paraguai a disponibilidade de fuzis.
Conforme a investigação, Décio passou o telefone de outro fornecedor paraguaio, perguntou sobre pistolas e quanto cobrava para trazer uma arma. Quem realizava os pagamentos desse grupo era a companheira do chefe, também condenada a mais de 33 anos de prisão.
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Polícia Federal/Divulgação
Em maio de 2026, a terceira fase da operação cumpriu 13 mandados em Uberlândia e cidades do Triângulo Mineiro. Entre os investigados está um ex-integrante do Exército e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), apontado como responsável por testar armas da organização em um clube de tiro da cidade. O nome do investigado não foi informado pela polícia.
A segunda fase da investigação foi realizada pela Polícia Federal de Uberlândia em fevereiro deste ano, quando foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária na região.
Segundo a PF, a ação é um desdobramento da primeira fase da Operação 'Scutum', realizada em outubro de 2024. As investigações apontaram que o grupo criminoso seria responsável por trazer armas de fogo de alta potência e longo alcance do Paraguai para revenda no Triângulo Mineiro, em cidades de Goiás e também em outros estados, como Rio de Janeiro e Bahia.
As investigações começaram em 2024, após a prisão de dois homens encontrados com fuzis, munições, anabolizantes e materiais ligados ao tráfico de drogas.
*Estagiária sob supervisão de Adreana Oliveira
Operação 'Scutum' apreende armas de fogo importadas em Uberlândia
Polícia Federal/Divulgação
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