Comandante da PM de MG trata morte da capitã Michele como 'violência doméstica e familiar' e diz que polícia 'não vai recuar'
22/07/2026
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A Comandante da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, fez um pronunciamento nesta quarta-feira (22) sobre a morte da capitã Michele Leão Azevedo e tratou o caso como "violência doméstica e doméstica". Ao falar com a imprensa no velório da policial, a comandante afirmou que a polícia "não vai recuar".
Michele Leão Azevedo, que tinha 41 anos, foi levada morta pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner, ao Hospital Odilon Behrens, na noite de segunda-feira (20). O corpo dela apresentava múltiplas lesões pelo corpo, incluindo traumatismo craniano. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, mas a versão do suspeito aponta em outra direção (leia mais abaixo).
"A morte da capitã Michele e de todas as outras mulheres em virtude da violência doméstica e familiar, ela nos toca a alma. E ela nos motiva cada vez mais a lutarmos contra esse inimigo visível e, muitas vezes, invisível que assola a sociedade", declarou a comandante.
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A comandante pediu para que toda a comunidade continue "acreditando no firme propósito" da Polícia Militar "de proteger todas as famílias mineiras, todas as mulheres do estado de Minas Gerais".
"Esse é o nosso propósito, essa é a nossa missão, que nos foi dada por Deus. E nós não vamos recuar, mesmo em frente aos maiores desafios, mesmo em meio às maiores dificuldades. Continuem contando com a Polícia Militar", afirmou.
Prisão de sargento mantida
Na manhã desta quarta, a Justiça decidiu manter, em audiência de custódia, a prisão do sargento Eduardo Abner, que foi convertida de flagrante para preventiva. O corpo de Michele começou a ser velado ainda de manhã, e o enterro deve ocorrer no fim da tarde.
Comandante da Polícia Militar Cleide Barcelos, em pronunciamento sobre a morte da capitã Michele Leão Azevedo na tarde desta quarta-feira (22)
Reprodução/TV Globo
O crime
Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante na noite de segunda-feira após levar Michele Leão Azevedo já morta ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
Segundo o boletim de ocorrência, Michele deu entrada no hospital por volta das 21h35. A médica responsável pelo atendimento informou aos policiais que a vítima apresentava quadro de assistolia, compatível com parada cardiorrespiratória instalada há tempo considerável.
Ainda conforme o registro policial, a equipe médica identificou múltiplas lesões pelo corpo da capitã, como traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte de grandes proporções na região frontal da cabeça. Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada.
Os médicos também informaram que, pelas características observadas, estimava-se que a morte tivesse ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.
A versão do suspeito
Em depoimento à polícia, Eduardo Abner Pereira de Oliveira disse que, na noite anterior, o casal promoveu uma confraternização em casa e consumiu bebidas alcoólicas e ecstasy.
O militar afirmou que, depois da saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas. Na segunda-feira, segundo o suspeito, a mulher caiu da escada da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos, mas não quis ir ao hospital devido ao consumo de drogas.
O sargento afirmou que ambos dormiram à tarde e que, ao acordar, por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia aos estímulos. Em seguida, decidiu levá-la ao hospital.
O circuito interno do prédio onde o casal morava registrou o momento em que o sargento carregou o corpo da vítima nos ombros até a garagem do edifício e o colocou dentro do carro (veja vídeo abaixo).
Em nota, a defesa de Eduardo informou que acompanha as investigações e afirmou ser necessário aguardar a conclusão dos laudos periciais antes de qualquer julgamento. Os advogados disseram confiar no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e afirmaram que vão se manifestar no momento oportuno, preservando o direito de defesa e o sigilo do procedimento.
Vídeo mostra momento em que sargento da PM carrega corpo de capitã até o carro
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