Dia Internacional do Gato: felina rejeitada após descobrir doença ganha segunda chance e vira ‘dona da casa’ em MG

  • 08/08/2026
(Foto: Reprodução)
Felina rejeitada após descobrir doença ganha segunda chance e vira ‘dona da casa’ em MG No Dia Internacional do Gato, celebrado neste sábado (8), a história da gata Margot mostra como uma segunda chance pode transformar a vida de um animal. Rejeitada pela antiga tutora após ser diagnosticada com giárdia, uma doença que afeta o sistema gastrointestinal, ela encontrou um novo lar com a médica-veterinária Elizângela Guedes e o marido, também veterinário. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Tudo começou há cerca de quatro anos, quando o esposo de Elizângela, então coordenador do Centro de Controle de Zoonoses de Varginha (MG), recebeu para atendimento uma filhote que apresentava um quadro intenso de diarreia. Após o diagnóstico, a responsável pelo animal informou que não queria mais ficar com a gata por causa da doença. “Era perto do meu aniversário. Meu esposo me mandou uma foto dela perguntando se eu a queria de presente. Quando vi aqueles olhos azuis enormes, me apaixonei na hora e falei para trazer”, relembra a veterinária. Margot e a tutora, Elizângela Guedes Lorena Lemos/g1 Sul de Minas Segundo Elizângela, a giárdia é causada por um protozoário e pode provocar diarreia intensa. Embora algumas cepas possam ser transmitidas aos seres humanos, a doença tem tratamento. Ainda assim, muitas pessoas acabam abandonando os animais por receio ou pelos custos envolvidos nos cuidados. A família decidiu adotar a filhote, e o tratamento durou cerca de um mês. O principal desafio foi a adaptação da recém-chegada com Pucca, a outra gata da casa, que já era idosa na época. “Como eu moro em apartamento, o espaço é menor. Então tivemos que fazer a adaptação aos poucos. Mas hoje elas se amam e uma não vive sem a outra”, conta Elizângela. De paciente a dona da casa Curada da doença, Margot logo mostrou uma personalidade completamente diferente da companheira felina. Enquanto Pucca sempre foi tranquila e reservada, a nova integrante chegou cheia de energia. “A Pucca era muito sossegada. A Margot já é caçadora, pula em tudo, exige atenção. Quando ela chegou, transformou meu sofá em arranhador”, brinca Elizângela. Margot e Pucca viraram amigas inseparáveis Arquivo pessoal Apesar das travessuras, a veterinária afirma que a gata conquistou toda a família. “Ela é extremamente carinhosa. Chega pedindo carinho, se esfrega na gente, deita na cama e até dá cabeçada quando estamos mexendo no celular para darmos atenção pra ela”, relata. Além da experiência pessoal, Elizângela aproveita para combater um dos principais preconceitos relacionados aos felinos. “Muita gente fala que gato é traiçoeiro ou que não é amoroso. Isso é um engano. Quem fala isso provavelmente nunca teve um gato. Eles são extremamente carinhosos e gostam de contato.” Margot é extremamente carinhosa, diz Elizângela Arquivo pessoal Gatos adultos, idosos e doentes ainda enfrentam resistência A história de Margot reflete um desafio observado em cidades do Sul de Minas. Apesar do aumento das campanhas de conscientização, animais adultos, idosos ou com problemas de saúde continuam encontrando mais dificuldades para serem adotados. Em Varginha, o Canil Municipal possui atualmente 45 gatos aptos para adoção. Os animais chegam ao abrigo em situações como abandono, atropelamentos, doenças, maus-tratos, acidentes e vulnerabilidade. De acordo com a prefeitura, os felinos idosos e aqueles com necessidades especiais estão entre os menos procurados pelos adotantes. No município, a adoção responsável é incentivada por meio de campanhas nas redes sociais institucionais. Todos os cães e gatos acolhidos pelo Canil Municipal também passam por programas de castração, respeitando critérios técnicos e clínicos. A prefeitura ainda realiza ações mensais de castração para animais domiciliados e comunitários. Canil Municipal de Varginha tem 45 gatos disponíveis para adoção atualmente Gabriela Pelegrini Em Pouso Alegre, apenas dois gatos estão disponíveis para adoção atualmente, sendo um deles positivo para FeLV, a leucemia felina. Até julho deste ano, 27 gatos foram adotados. A cidade recebe entre 22 e 25 gatos resgatados por mês, principalmente vítimas de atropelamentos ou com suspeita de esporotricose. Segundo o município, os gatos adultos, idosos, pretos, portadores de limitações físicas ou diagnosticados com FIV e FeLV estão entre os menos procurados. Para estimular as adoções, a prefeitura promove feiras mensais e mantém programas permanentes de castração por meio do Centro de Bem-Estar Animal e da Unidade Móvel de Castração. Já em Passos, não existe abrigo municipal para gatos. A cidade desenvolve o Programa Animal Comunitário, que acompanha aproximadamente 177 felinos cadastrados. Os animais recebem castração, vacinação, microchipagem, acompanhamento veterinário e fornecimento de ração, em uma iniciativa voltada ao controle populacional e ao bem-estar animal. Em Poços de Caldas, a prefeitura informou que não mantém gatos disponíveis para adoção em abrigo municipal. Mesmo assim, realiza campanhas semanais de incentivo à adoção por meio do site oficial e das redes sociais, além de divulgar continuamente os programas de castração, cujo cadastro pode ser feito online. O que considerar antes de adotar um gato Veterinária explica que adotar um gato exige planejamento e responsabilidade Gabriela Pelegrini A médica-veterinária Gabriela Pelegrini ressalta que a adoção de um gato exige planejamento e responsabilidade. Segundo ela, antes de levar um animal para casa, é importante entender que os felinos possuem necessidades e comportamentos próprios, diferentes dos cães. "O responsável deve estar preparado para oferecer um ambiente seguro, enriquecido e, preferencialmente, manter o animal exclusivamente dentro de casa, sem acesso livre às ruas", explica a profissional. Além disso, é necessário avaliar se a família tem condições financeiras e disponibilidade para garantir alimentação adequada, acompanhamento veterinário e bem-estar durante toda a vida do animal. Após a adoção, Pelegrini recomenda uma consulta veterinária para avaliação do gato e definição dos exames mais adequados para cada caso. Entre os principais está a testagem para FIV e FeLV, doenças virais que afetam os felinos. "Esses exames auxiliam na definição do protocolo vacinal, do manejo e das condutas preventivas mais adequadas para cada animal", afirma. A especialista também destaca que a adaptação deve ocorrer de forma gradual, especialmente quando já existem outros animais na residência. "O ideal é respeitar o tempo de cada animal e realizar a introdução aos poucos, preferencialmente com orientação de um médico-veterinário com conhecimento em comportamento animal. Isso reduz o estresse, favorece a convivência e ajuda a prevenir problemas de saúde e comportamento", diz. Outro ponto importante é a castração. Segundo Gabriela, não existe uma idade única recomendada para todos os gatos. A indicação deve ser feita individualmente pelo veterinário, levando em consideração fatores como idade, condição de saúde, histórico e ambiente em que o animal vive. Ela também reforça que animais com deficiência ou doenças crônicas podem ter uma vida longa e confortável quando recebem os cuidados adequados. "Com acompanhamento veterinário, tratamento correto e manejo adequado, esses animais podem apresentar excelente qualidade de vida, mesmo que necessitem de atenção especial", destaca. Compromisso dura toda a vida do animal Para Elizângela, histórias como a de Margot mostram que uma doença não deve ser motivo para descartar um animal. Ela destaca que o acompanhamento veterinário é fundamental e lembra que diversos municípios já oferecem atendimentos e programas gratuitos para famílias de baixa renda. “A adoção precisa ser responsável. O animal não é um bichinho de pelúcia. Ele precisa de alimentação, espaço, cuidados e acompanhamento médico-veterinário ao longo da vida”, afirma. Quatro anos depois de chegar doente ao Centro de Controle de Zoonoses, Margot se transformou em um exemplo de que informação, cuidado e afeto podem mudar destinos. “Eu recomendo muito a adoção de gatos, mas sempre com responsabilidade. Eles dependem da gente e têm muito amor para oferecer”, conclui a veterinária. Margot tem 4 anos; gata vive bem e saudável com Elizângela e o marido Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/08/08/dia-internacional-do-gato-felina-rejeitada-apos-descobrir-doenca-ganha-segunda-chance-e-vira-dona-da-casa-em-mg.ghtml


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