'Minas são muitas': em uma Juiz de Fora de tradições, culturas e passagens, histórias de quem quer ficar e transformar o futuro

  • 26/09/2026
(Foto: Reprodução)
'Minas são muitas': série do MG1 mostra os desejos dos eleitores de Juiz de Fora Depois de passar por Divinópolis, Serra da Saudade, Araxá, Uberaba e Uberlândia, o repórter Gabriel Landim deixou o Cerrado em direção à Mata Atlântica e desembarcou em Juiz de Fora, na Zona da Mata. É a última reportagem da série especial 'Minas são muitas'. O objetivo é ouvir as preocupações dos moradores com o presente e o futuro e entender o que eles levam em conta na hora de decidir o voto. Juiz de Fora existe porque o ouro das Minas Gerais atravessou a região em direção ao Rio de Janeiro. A história ajuda a explicar parte da influência fluminense nos costumes e no sotaque da cidade. Até o nome tem relação com quem veio de fora. No século 18, um juiz de direito que passou pela região ficou conhecido como “o juiz de fora”. O nome permaneceu, assim como a vocação de receber quem chega em busca de oportunidades, principalmente nas áreas de saúde e educação. Na terra onde o café e a indústria já foram referências, comércio e serviços empregam juntos mais de 120 mil pessoas e hoje concentram a maior parte da riqueza produzida no município. Muitas lojas estão nas tradicionais galerias comerciais, que conectam ruas e calçadões. Os moradores ouvidos na reportagem representam a diversidade econômica e cultural da maior cidade da Zona da Mata e a quarta mais populosa de Minas Gerais, com mais de 560 mil habitantes. Polo estudantil: o sonho de fazer a diferença na sociedade Juiz de Fora é um dos principais polos educacionais de Minas Gerais, com 21 instituições de ensino superior. Na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), são cerca de 22 mil alunos. Três em cada dez são de outros municípios. São jovens que chegam com malas e expectativas de construir a vida na cidade, mas que também enfrentam o desafio de encontrar oportunidades de trabalho. Essa é uma das preocupações do estudante de Direito Luiz Otávio Esteves de Oliveira, que nasceu em Juiz de Fora e cursa uma faculdade particular. “É uma cidade histórica, tradicional, com uma boa segurança, isso faz com que eu me encante pela cidade. Como aqui é um polo estudantil e as pessoas vêm pra estudar, e depois vão embora para outros lugares, eu me preocupo muito com essa questão de emprego, principalmente na minha área. Se eu me formar em Juiz de Fora, eu vou buscar um lugar que tenha mais oportunidade pra mim, mas eu não queria largar a cidade, eu gosto muito daqui. O que me pega muito é a desigualdade: ver poucas pessoas com muito e muitas com pouco”, afirmou. Luiz Otávio Esteves de Oliveira TV Integração/Reprodução Júlia Bordoni se mudou de Bicas, cidade vizinha, para cursar Odontologia em Juiz de Fora, onde o irmão já estudava Engenharia. A estudante sonha em entrar no mercado de trabalho da cidade e se especializar no atendimento a pessoas com necessidades especiais. “Odonto tem várias áreas, a de cirurgia, a de estética, mas eu penso em ir para a área de pediatria com crianças especiais, que exige muito cuidado, muito amor. Dentro de área do SUS, como HPS, UBS, é uma área da odontologia em que os profissionais são escassos, então pra mim seria ótimo trabalhar aqui em Juiz de Fora dessa forma”, disse. Júlia Bordoni TV Integração/Reprodução Comércio, serviços e a busca por oportunidades Não é difícil encontrar trabalhadores do comércio ou lojistas pelas ruas de Juiz de Fora. Aparecida de Fátima é uma delas. “O pessoal me conhece muito na Zona Norte da cidade, me falaram que sou patrimônio. Conheço muita gente, tenho amizade com muita gente, porque sempre trabalhei com comércio”, disse. Aparecida de Fátima TV Integração/Reprodução Daniela dos Santos Gomes, mineira de Ponte Nova, se casou e se mudou para Juiz de Fora, onde mora há 27 anos. Atualmente, trabalha como babá, mas já exerceu diferentes atividades na cidade. O sonho agora é construir um futuro diferente para as filhas. “Tenho três filhas, uma faz faculdade, uma já se formou, tenho três netos. Eu parei na oitava série e não estudei mais, fui manicure, tenho uma filha que formou e agora é manicure. Comecei a trabalhar muito cedo, meus pais separaram cedo, eu tinha 9 anos, e com 10 anos eu já era babá de uma menina e ajudava minha mãe. Eu penso nos meus filhos e nos meus netos. A gente trabalha de mais e passa muito aperto, a gente tinha que trabalhar menos, por isso é preciso ter um estudo. Porque meu dia a dia é um corre-corre”, disse. Daniela dos Santos Gomes TV Integração/Reprodução Em uma cidade forte na educação, mas com desafios no mercado de trabalho, João Carlos Garcia procura emprego. Ele quer continuar a vida no município onde nasceu e formou a família, mas enfrenta dificuldades para conseguir uma oportunidade. “Conheci minha esposa, éramos da mesma igreja, a gente foi conversando, namoramos, casamos, fomos para a primeira casa de aluguel, veio o filho, que hoje tá com 15 anos. Ela trabalha como manicure e cabeleireira. Eu já trabalhei como conferente, auxiliar de expedição, sempre em transportadoras. Quando a gente procura emprego, a gente vê até bastante oportunidade, você faz o cadastro, e passa um tempo, eles avisam que a seleção foi finalizada, e não falam o motivo. E você sempre procurando a novidade nesse novo emprego”, explicou. Da indústria ao comércio e à cultura As chaminés preservadas em Juiz de Fora lembram o período em que a cidade ficou conhecida como “Manchester Mineira”, em referência ao pioneirismo da industrialização. O município também foi chamado de “farol de Minas” após a construção da primeira grande hidrelétrica da América do Sul. O cenário econômico, porém, mudou e a cidade se reinventou. Atualmente, a indústria representa a segunda maior atividade econômica de Juiz de Fora. São cerca de 1.800 empresas, principalmente dos setores metalúrgico, têxtil e alimentício, a maioria de pequeno e médio porte. Quase metade dos moradores está no mercado de trabalho e mais de 100 mil pessoas são microempreendedoras. A herança da prosperidade industrial também deu lugar a uma vida cultural intensa. Uma antiga fábrica têxtil, por exemplo, abriga hoje o Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. A cidade também reúne diversos museus, entre eles o Museu Mariano Procópio, que possui o segundo maior acervo imperial do Brasil. O futuro que passa pelas urnas Ao longo de “Minas são muitas”, ouvimos os critérios usados por moradores de diferentes regiões do estado para definir seus votos. Os mineiros são muitos e diversos. Mas, nas conversas, algumas preocupações apareceram em diferentes cidades: educação, saúde, trabalho, desigualdade, qualidade de vida e a presença dos políticos na vida em sociedade. Em Juiz de Fora, o repórter Gabriel Landim e o repórter cinematográfico Rodrigo Souza, com produção de Camila Saenz e Aline Maia, encontraram moradores que também carregam essas expectativas para o futuro. “O que define meu voto é, principalmente, honestidade, responsabilidade com o povo, educação, saúde, é o que impacta muito na vida da gente”, disse João Carlos. João Carlos Garcia TV Integração/Reprodução “Para o futuro, o que me pega muito é a desigualdade: ver poucas pessoas com muito e muitas com pouco. Eu penso muito na população e nos candidatos que vão realmente trazer melhorias significativas para a sociedade, pautas relevantes e não aquele discurso populista. Eu, como jovem, tenho fé nesse futuro”, disse Luiz Otávio. “O que define meu voto é aquele candidato que dedica o ano todo, o que faz pela comunidade e pelas pessoas”, afirmou Daniela. “A gente tem que prestar muita atenção em quem vai votar, porque é preciso ação, estar junto com o povo, porque o povo é que coloca eles no poder”, disse Aparecida. “Vai ser minha primeira eleição, tirei meu título para fazer inscrição na faculdade, e a gente se sente pressionado, afinal, é uma nação né, o voto é nosso e é uma responsabilidade”, destacou Júlia. Minas são muitas Minas são muitas. São cidades, sotaques, sabores, festas, histórias e diferentes jeitos de viver. Tão diferentes entre si e, ao mesmo tempo, tão profundamente mineiras. Ao longo da viagem, a série mostrou que a distância não separa essas Minas. Revela as diferenças, as histórias e os sonhos de quem vive em cada uma delas. E, no fim, é a cultura que aproxima e a memória que ajuda a preservar aquilo que faz cada lugar ser único. Minas são muitas. E é justamente por isso que Minas é uma só. Um estado feito de muitas histórias, diferentes sotaques e sonhos que, agora, encontram um mesmo lugar: as urnas. Série Minas são muitas Leia também: 'Minas são muitas': da diarista que quer mais tempo com as filhas ao pai que viaja para vender queijos 'Minas são muitas': conheça os sonhos de quem mora na cidade menos populosa do Brasil 'Minas são muitas': além da mineração, Araxá reúne histórias de quem busca um futuro melhor 'Minas são muitas': na terra de gigantes, em Uberaba moradores sonham com mais justiça social, fim do racismo e saúde acessível 'Minas são muitas' chega a Uberlândia, a terra fértil e de localização estratégica, que acolhe gente de todo o Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/09/26/minas-sao-muitas-em-uma-juiz-de-fora-de-tradicoes-culturas-e-passagens-historias-de-quem-quer-ficar-e-transformar-o-futuro.ghtml


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