Polícia Civil indicia sargento por feminicídio de capitã da PM em BH
21/08/2026
(Foto: Reprodução) Capitã da PM morta em BH: o que a investigação descobriu até agora
A Polícia Civil concluiu nesta sexta-feira (21) o inquérito sobre a morte da capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, e indiciou o marido dela, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, por feminicídio. O crime ocorreu no mês passado, em Belo Horizonte (relembre mais abaixo).
"O inquérito policial, instaurado para apurar a autoria, materialidade, motivação, dinâmica e circunstâncias do feminicídio, foi concluído e enviado à Justiça, nesta data. Outras informações não poderão ser prestadas, tendo em vista que o procedimento tramita sob sigilo decretado pelo Poder Judiciário", afirmou a instituição.
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No último 31 de julho, a TV Globo teve acesso a um laudo do Instituto Médico Legal (IML) que apontou a presença de substâncias associadas ao ecstasy e de anfetamina no organismo da vítima. A detecção dos compostos, entretanto, não permitia concluir a causa da morte, que continuou sob investigação.
Com o término das apurações, o inquérito será analisado pelo Ministério Público, que deve decidir se apresenta uma denúncia formal à Justiça, se arquiva o processo ou se pede novas diligências. Se o caso for remetido ao Judiciário e aceito pelo juiz, o sargento vira réu e passa a ser julgado.
Relembre o caso
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo morreu na noite de 20 de julho. Ela foi levada já sem vida pelo marido, o sargento da PM Eduardo Abner Pereira de Oliveira, ao Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte.
O homem foi preso em flagrante depois que a equipe médica identificou múltiplos ferimentos pelo corpo da policial, além de um corte profundo na região frontal da cabeça. De acordo com a Polícia Civil, os sinais apresentados pela vítima eram compatíveis com violência. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva.
Em depoimento, Eduardo Abner negou ter cometido qualquer crime. Ele alegou que o casal havia consumido bebidas alcoólicas e drogas durante uma festa realizada no apartamento onde moravam. O sargento também afirmou que os ferimentos ocorreram durante práticas sexuais consensuais e disse ainda que Michele caiu de uma escada e bateu a cabeça.
Os primeiros levantamentos da investigação, no entanto, indicaram que a capitã havia morrido entre quatro e seis horas antes de dar entrada no hospital. Desde o início, o caso era investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
O que a investigação encontrou
Durante as primeiras diligências no apartamento, investigadores apreenderam um cabo de madeira quebrado, encontrado no lixo próximo à saída de emergência do prédio. Conforme o boletim de ocorrência, o objeto pode ter sido utilizado nas agressões.
A polícia também constatou que as roupas de cama haviam sido retiradas da cama e estavam limpas, ainda molhadas, dentro da máquina de lavar. O carro de Eduardo Abner também foi apreendido e já passou por perícia.
No último 28 de julho, investigadores fizeram uma perícia complementar no local. Segundo a delegada responsável pelo caso, novas diligências ainda poderiam ser realizadas e, por isso, o apartamento permaneceria interditado até a conclusão da investigação.
No fim do mês passado, o Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte analisou a urina da PM e detectou compostos sintéticos como metilenodioxianfetamina (MDA) e metilenodioximetanfetamina (MDMA) na amostra.
Imagem aérea do apartamento do casal em Belo Horizonte
Reprodução/TV Globo
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Capitã da PMMG Michele Leão Azevedo e o marido dela, sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, principal suspeito do crime.
Reprodução/Redes sociais