'Sabores, Sons e Memórias': da terra à mesa, família leva sabores da roça ao Centro de Itapecerica

  • 04/10/2026
(Foto: Reprodução)
Família cultiva, colhe e leva produção do campo ao Centro de Itapecerica Na Fazenda Laranjo, em Itapecerica, o caminho entre a terra e a mesa é mais curto do que parece. A mandioca plantada na propriedade pode virar farinha e polvilho. O leite das vacas se transforma em queijo. Os ovos das galinhas entram nas receitas. Frutas e verduras são colhidas na própria fazenda. E as mãos que cuidam da roça também participam do preparo das quitandas e dos doces. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Esta é a 8ª reportagem especial da série “Itapecerica: Sabores, Sons e Memórias”, que percorre histórias, personagens, tradições e sabores que ajudam a contar a identidade de Itapecerica. Ao longo da série, o g1 tem mostrado lugares e pessoas que mantêm vivos saberes passados de geração em geração. Agora, a viagem chega à Fazenda Laranjo, onde a relação com a terra se transforma em alimentos, renda e, sobretudo, memória. Ciclo que começa no campo É um ciclo que começa no campo e, recentemente, ganhou um novo endereço: o Centro de Itapecerica, no Empório iguarias de Minas. A Fazenda Laranjo fica a quase 22 quilômetros da área central do município. É lá que vivem e trabalham Imaculada Conceição Mendonça, de 69 anos, e Sebastião Leogino Mendonça, de 70 anos. Casados há 50 anos e ao lado dos filhos, noras e netos, eles mantêm uma rotina que mistura agricultura, criação de animais e produção artesanal de alimentos. A história da família é também a história de uma mesa farta. Entre os produtos feitos na propriedade estão queijos, doces, farinhas, quitandas, bolos, biscoitos e outros alimentos preparados a partir daquilo que a própria terra oferece. E não é apenas uma forma de produzir comida. É uma maneira de preservar um modo de vida. Fazenda Laranjo, em Itapecerica Anna Lúcia Silva/g1 O que nasce na fazenda Na Laranjo, a produção não termina quando o alimento é colhido. Muitas vezes, é justamente ali que começa outra etapa. “A mandioca, por exemplo, pode seguir um longo caminho até chegar à mesa. Na fazenda, a gente transforma ela em farinha e polvilho. O leite das vacas vira queijo. Os ovos caipiras também entram nas receitas, seja o pão de queijo, as broas ou as roscas”, diz Sebastião. Foi assim que nasceu um dos produtos que mais representam a propriedade: o pão de queijo feito com ingredientes da própria fazenda e assado em forno de barro. A receita reúne polvilho produzido a partir da mandioca cultivada na propriedade, ovos caipiras, queijo feito com o leite das vacas e manteiga de porco. O preparo artesanal foi mostrado pelo g1 em reportagem recente. Mais do que um alimento, o pão de queijo revela como funciona a produção da família, com aquilo que vem da terra, passa pelas mãos de quem vive nela e chega ao consumidor carregando a história do lugar. "A gente vai fazendo tudo junto, mas sem muita regra. tem semana que a gente fica todos os dias fazendo a farinha, depois os queijos e as outras coisas que a gente produz. A gente faz tudo com muito amor, com muito gosto", dizImaculada. Dona Imaculada e Senhor Sebastião na Fazenda Laranjo Itapecerica Anna Lúcia/g1 Uma família inteira na produção Imaculada e Sebastião não fazem esse trabalho sozinhos. A rotina da fazenda envolve os filhos Kênio, Cleiton, Lidiane e Leandro, além das noras e dos 11 netos. A família participa, de diferentes maneiras, da produção e dos projetos que nasceram a partir dela. Lidiane Mendonça, formada em nutrição, encontrou uma forma de levar os produtos ainda mais longe. No Centro de Itapecerica, ela mantém o empório Iguarias de Minas, onde são comercializados produtos da Fazenda Laranjo e de outras propriedades rurais. “A ideia do empório nasceu justamente para aproximar a cidade daquilo que é produzido na roça. É uma forma de valorizar o trabalho no campo, mostrar a qualidade do que é feito por lá e fazer com que esses sabores cheguem cada vez mais longe", afirma. Para quem entra no empório, é possível encontrar muito mais do que produtos. Cada item carrega uma parte da rotina da família. A roça que virou oportunidade O empório também representa uma nova possibilidade para a produção rural. Aquilo que antes era cultivado principalmente para o consumo da própria família ganhou um novo caminho comercial. A produção da fazenda passou a chegar a mais pessoas, sem que a família precisasse abandonar a maneira artesanal de fazer as coisas. É um movimento que dialoga com uma transformação maior vivida por Itapecerica. Um estudo de Identidade Gastronômica realizado no município pelo Sebrae Minas, em parceria com a Prefeitura e o Sicoob Crediverde, identificou justamente a força da culinária rural como patrimônio cultural e como possibilidade de geração de renda, valorizando ingredientes, receitas e saberes tradicionais. Na Fazenda Laranjo, essa transformação acontece de maneira concreta. A mandioca continua sendo plantada. O leite continua sendo tirado. As galinhas continuam soltas pelo terreiro. A horta continua oferecendo verduras. Os doces continuam sendo preparados. As quitandas continuam saindo do forno. Mas agora tudo isso pode atravessar os limites da propriedade e chegar à cidade. Há também um movimento de continuidade. O conhecimento que Imaculada e Sebastião construíram ao longo dos anos não fica restrito a eles. Ele aparece nas receitas, no jeito de preparar os alimentos, no cuidado com os ingredientes e na participação dos filhos e netos. É uma transmissão que acontece sem grandes cerimônias, enquanto um trabalha na roça, outro ajuda na cozinha; enquanto uma receita é preparada, outra geração aprende. Foi assim que a Fazenda Laranjo construiu uma identidade que vai além da produção agrícola. E talvez seja justamente essa a parte mais bonita da história, ver que o alimento que chega ao empório não perde a origem. Ele continua carregando o cheiro da terra, o trabalho da família e a memória de uma cozinha onde quase tudo começa muito antes de chegar ao prato. Leia as outras reportagens da série: Aos 103 anos, Dona Nem vive cercada por dois séculos de história Reinado do Rosário transforma Itapecerica com fé, cultura e tradição Conheça a Cachaça do Mudo e uma tradição de quatro gerações Banda que atravessa gerações mantém viva em Itapecerica tradição musical iniciada há mais de dois séculos Antiga senzala em fazenda de Itapecerica vira memorial que preserva a história de vítimas da escravidão Família transforma criação de ovelhas em experiência de turismo e gastronomia em MG 'Sabores, Sons e Memórias': Cozinheira resgata sabores da infância e leva receitas para a internet em Itapecerica VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/10/04/sabores-sons-e-memorias-da-terra-a-mesa-familia-leva-sabores-da-roca-ao-centro-de-itapecerica.ghtml


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